Às vezes tenho a impressão que não estou absorvendo as coisas.
Sabe aquele momento da sua vida em que você sente um Truman (do filme "O Show de Truman) ou até mesmo um Bolt em versão feminina? Que você do nada começa a perceber que está vivendo "por viver" o ideal de algo que além de não ser o seu, nunca dá certo com você?
Esses dias, no meio da crise existencial e amorosa que estou vivendo, assisti esse "Bolt" por acaso. Para quem não viu o desenho posso adiantar que ele é um super cão, só que de mentira. Ele é manipulado por uma série de televisão para ser um super cachorro e enfrentar situações eletrizantes e o único que não sabe disso é ele mesmo. Ele vive dentro de um estúdio pensando ser a vida real e amando defender de verdade a sua dona, que na verdade é uma atriz mirim.
Parece simples? Não para alguém como eu, que já está farta desse estúdio no qual convivo e de ser uma super mulher de mentirinha.
Existe diversos tipos de crise existencial. Mas tenho certeza que a pior delas é perceber que nenhum processo de mudança está unicamente na sua mão. E você sabe que - por mais que dê de ombros e insista em dizer que o botão do foda-se da sua vida emperrou - não vivemos sozinhos. A não ser que você seja um Grenouille (do livro "O Perfume, a História de um Assassino) da vida e fique anos dentro de uma caverna por longos anos comendo musgo e bebendo água da chuva. Mesmo que você compre apenas 1 filão de manhã, deixando claro a sua solidão, uma hora você tem que conviver com alguém na padaria. E na rua. E nas esquinas.
O que quero dizer é que tem horas que a gente realmente cansa. E eu estou nessas fases. Onde parece que tudo nem é branco e nem é preto, é simplesmente um borrão cinza e opaco. As pessoas dizem "supere isso, você é melhor patati patatá". Meu terapeuta diz que isso "é viver e que não posso evitar as experiências, apenas passar por elas sem traumas". Mas no fundo, quando apaga a luz do quarto, é só você e sua consciência. E aqueles conselhos todos não valem de nada, porque no fim de tudo você só queria que tivesse dado certo, que a pessoa não tivesse sido um canalha, que ele se arrependesse e no meio da noite te ligasse... Que você entrasse na lista das mulheres "normais" que tem homens que lutam pelo relacionamento com elas... Não conformar-se que ele "simplesmente não te merece".
Fica-se pensando: Onde eu errei? Em apostar minhas fichas ou de não ser uma pessoa tão interessante ao ponto de ter alguém se importando em correr atrás de mim?
Vamos ser honestas com nós mesmos. A solidão é um bicho de 7 cabeças que pula do closet de roupas toda vez que você finge para você mesma que é "dona da situação". Que você se prepara toda para uma noite de nenhuma ligação. De nenhum abraço. De nada.
Sinto-me ridícula de passar batom esses dias. Por quê? Eu não sei. Mas estou vendo que a mulher realmente se deprime com canalhas.
Estou cansada de cinza. Essa cor não é da estação. Não quero usá-la, mas meu Deus... só vejo coisas cinzas por onde eu olho agora...
Sabe aquele momento da sua vida em que você sente um Truman (do filme "O Show de Truman) ou até mesmo um Bolt em versão feminina? Que você do nada começa a perceber que está vivendo "por viver" o ideal de algo que além de não ser o seu, nunca dá certo com você?
Esses dias, no meio da crise existencial e amorosa que estou vivendo, assisti esse "Bolt" por acaso. Para quem não viu o desenho posso adiantar que ele é um super cão, só que de mentira. Ele é manipulado por uma série de televisão para ser um super cachorro e enfrentar situações eletrizantes e o único que não sabe disso é ele mesmo. Ele vive dentro de um estúdio pensando ser a vida real e amando defender de verdade a sua dona, que na verdade é uma atriz mirim.
Parece simples? Não para alguém como eu, que já está farta desse estúdio no qual convivo e de ser uma super mulher de mentirinha.
Existe diversos tipos de crise existencial. Mas tenho certeza que a pior delas é perceber que nenhum processo de mudança está unicamente na sua mão. E você sabe que - por mais que dê de ombros e insista em dizer que o botão do foda-se da sua vida emperrou - não vivemos sozinhos. A não ser que você seja um Grenouille (do livro "O Perfume, a História de um Assassino) da vida e fique anos dentro de uma caverna por longos anos comendo musgo e bebendo água da chuva. Mesmo que você compre apenas 1 filão de manhã, deixando claro a sua solidão, uma hora você tem que conviver com alguém na padaria. E na rua. E nas esquinas.
O que quero dizer é que tem horas que a gente realmente cansa. E eu estou nessas fases. Onde parece que tudo nem é branco e nem é preto, é simplesmente um borrão cinza e opaco. As pessoas dizem "supere isso, você é melhor patati patatá". Meu terapeuta diz que isso "é viver e que não posso evitar as experiências, apenas passar por elas sem traumas". Mas no fundo, quando apaga a luz do quarto, é só você e sua consciência. E aqueles conselhos todos não valem de nada, porque no fim de tudo você só queria que tivesse dado certo, que a pessoa não tivesse sido um canalha, que ele se arrependesse e no meio da noite te ligasse... Que você entrasse na lista das mulheres "normais" que tem homens que lutam pelo relacionamento com elas... Não conformar-se que ele "simplesmente não te merece".
Fica-se pensando: Onde eu errei? Em apostar minhas fichas ou de não ser uma pessoa tão interessante ao ponto de ter alguém se importando em correr atrás de mim?
Vamos ser honestas com nós mesmos. A solidão é um bicho de 7 cabeças que pula do closet de roupas toda vez que você finge para você mesma que é "dona da situação". Que você se prepara toda para uma noite de nenhuma ligação. De nenhum abraço. De nada.
Sinto-me ridícula de passar batom esses dias. Por quê? Eu não sei. Mas estou vendo que a mulher realmente se deprime com canalhas.
Estou cansada de cinza. Essa cor não é da estação. Não quero usá-la, mas meu Deus... só vejo coisas cinzas por onde eu olho agora...
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